“Penso que todos nós gostávamos de ser mágicos e ter uma varinha, estilo Harry Potter, que obedecesse aos nossos comandos e realizasse rapidamente o que desejamos. Ou, então, ter superpoderes, estilo qualquer super-herói, que nos permitisse fazer coisas que um Ser Humano normal não consegue fazer.
No entanto, existem muitos Seres Humanos que, dada a sua força interior, conseguem realizar tarefas sociais ciclópicas com uma energia e resiliência dignas de um super-herói. Só que não são tão espetaculares. Grande parte das vezes demora mais tempo para se conseguir vislumbrar um resultado deslumbrante.
A iniciativa, empenho, dedicação, motivação e empreendedorismo que colocam ao serviço dos outros, congregando a boa vontade de muitos à sua volta, é de tal ordem que demonstram capacidades sobre-humanas e de imenso Valor Humano.
Não sei de onde nos veio esta ideia de querermos ser super-heróis ou mágicos, mas seguramente tem tudo a ver com as artes da guerra e a vontade forte de querer eliminar o inimigo sem esforço físico nem mental.
Imaginem se a grande maioria de nós possuísse superpoderes, neste caso o mundo era um campo de batalha imenso sem paz nem tranquilidade, onde os super-heróis tentavam constantemente eliminar os seus inimigos. Nesse mundo haveria seguramente uma metade a combater a outra metade, onde as características de Seres Humanos desapareceriam rapidamente.
Nos dias de hoje o Homem transformou muita tecnologia em objetos de magia ou de superpoderes. É o caso de grande parte dos equipamentos eletrónicos (smartphones; smartwatches; tablets; computadores; jogos eletrónicos; internet; etc.). E o Homem sente-se um mágico e um super-herói onde tudo acontece no mundo virtual, num abrir e fechar de olhos ou com um estalar de dedos. De tal modo é assim, que há Homens que exigem de outros Homens a realização de tarefas com um estalar de dedos. Ou seja, é para ser realizado JÁ.
Não há jovem, mesmo sem uma personalidade e um caráter bem formados que não se sinta um super-herói. Mais grave ainda, é quando colocam esses jovens a tomar decisões com ‘equipamentos de magia’.
Ora, o Valor Humano tem a grande capacidade em transformar cada um de nós em super-heróis, fazendo uma magia real de transformar outros Seres Humanos, acrescentando-lhes Valor. E, se pretendermos, podemos ser TODOS mágicos sem querermos prejudicar ninguém nem combater outro semelhante, a não ser o mal que ele possa querer provocar.
É verdade, o Valor Humano não é tão espetacular num curto intervalo de tempo, como os superpoderes ou a magia, mas é igualmente eficaz e eficiente nos resultados de longo prazo. Ou seja, o Futuro passaria a ser uma agradável surpresa pelas melhorias significativas que produziria em cada um de nós.
Outro aspeto fabuloso, relacionado com o Valor Humano é que num ‘passe de magia’ poderá transformar Seres agressivos em Seres pacíficos, ou também, Seres sem Valor em Seres com Valor Humano. Esta sim é uma transformação que nenhum super-herói consegue realizar.
Para tristeza de muitos de nós, o Homem continua a apostar nos super-heróis e nos mágicos, fabricando mais e mais equipamentos eletrónicos de magia, jogos alienantes, realidade virtual debilitante e, em vez de passarmos a ter maior Valor Humano transformamo-nos em Seres mais dependentes e sem valor, dadas as características viciantes e alienantes dessa realidade (tal como está hoje a ser desenvolvida em grande escala).
O mesmo se passa com o desenvolvimento de robots. Na impossibilidade de dar instruções escravizantes a Seres Humanos, o Homem criou os robots para que estes realizem tarefas sem contestar ou reagir. E, assim, continua tudo na mesma, o espírito Humano não muda, apenas se desvia para uma realidade paralela daquela mais brutal e primária.
A realidade virtual e a inteligência artificial estão nesse caminho de desenvolvimento. Estas metodologias acabam por dominar os Seres Humanos através da realização de tarefas em automático e com capacidade de decisão dita inteligente. Substituem, assim, os Humanos em tarefas de raciocínio, para impor uma prática que poucos dominam e a grande maioria não sabe como controlar.
É assim nas novas artes da guerra, com a difusão dos ‘drones’ e dos mísseis teleguiados com GPS e ‘inteligentes’. As batalhas não se travam olhando o inimigo nos olhos, nem sentindo a dor, mas apenas manejando e manipulando equipamentos que movimentam os robots conforme os desejos.
O Valor Humano está totalmente ausente no ato de manipular esses robots, apenas está virtualmente presente no ato de o desenvolver. Mas neste caso dir-se-ia que é um desenvolvimento de fraco Valor Humano, pois não se destina a melhorar, mas a destruir outro Ser Humano.
Não deduzam das minhas palavras que não existem aspetos positivos em todas estas tecnologias que mencionei. O mesmo se passa com os Super-Heróis, que apenas pretender ajudar a Humanidade contra o mal. É claro que existem, mas rapidamente são desviadas por quem detém o poder para realizar outras tarefas que causam dominação. E quando não são utilizadas para dominar, raramente são utilizadas para criar maior Valor Humano. Normalmente são usadas para negócio lucrativo, determinado pelos mercados.
Só o Valor Humano não tem o PODER de dominar. Esta característica do Ser Humano apenas pretende desenvolver maior Valor, exercendo o PODER para inteligentemente contribuir para uma Sociedade mais justa, difundindo os Valores Humanos como princípios de conduta e prática de Vida.
Se assim o fizermos, posso assegurar-vos que a magia transformará muitos de nós em Seres heroicos de desenvolvimento de Valor Humano.”
Alfredo Sá Almeida 18 de Abril de 2015


Deixe uma resposta para Títulos dos Textos publicados no Blog | Valor Humano Cancelar resposta